domingo, 25 de agosto de 2019

Pensamento escrito


Há três anos escrevi um pequeno desabafo. Hoje, relendo-o, percebo quão atemporal ele é.



Mesmo com tantas reviravoltas e com a política como assunto principal nas mesas de bar e nas rodas de amigos, tudo no Brasil continua uma balela. As pessoas discutem, brigam, devoram-se, odeiam-se, defendendo um ou outro lado; mas, finalmente, acabam voltando para seus afazeres, para seu divertimento, para sua cerveja, para seu vícios. De APÁTICO o povo brasileiro passa a DEMAGOGO. De demagogo para hipócrita, não falta meia milha. Ou meia dúzia de stories.



                                                                  ***



Brasília, 16 de março de 2016.



Luís Inácio é um psicopata. Para mim não restam dúvidas. Inescrupuloso e sem consciência, ele acredita nas próprias mentiras e faz delas verdades. Eu preciso escrever. Preciso sair às ruas e protestar, protestos de verdade, não esses nos quais as pessoas se arrumam, tiram fotos e sorriem como se estivessem em pleno carnaval. Depois vão embora para suas casas na certeza de que cumpriram com seu dever cívico. Mas não.. eu não consigo escrever. Sinto como se me faltasse força física. Meu texto sai sem nexo ou coesão. Meu organismo parece estar me devorando e meus órgãos vitais parecem estar se comprimindo para que me falte a circulação sanguínea e a respiração. Se eu tivesse desde sempre orgulho de meu País, morrer seria uma opção. Ir às ruas, protestar contra toda essa tirania, com armas num derramamento de sangue que valeria a pena. Mas poderei eu morrer por algo que não acredito? Não, nunca acreditei nesse povo "heróico" e "bravo" cantado nos arranjos de Francisco Manuel da Silva. Esse, por sinal, tem sua parcela de corruptível, pois trabalhava ante a promessas do imperador. O povo brasileiro não é nação. Nações precisam estar unidas não em idioma e geograficamente, mas em ideologia. O Brasil é definido como laico, mas  "apático" julgo ser uma melhor definição. Mas o que fazer? Continuar com meus planos pessoais e continuar me considerando uma apátrida? Ou acordar para a realidade e pagar ao país o preço de minha dívida por ter errado grosseiramente ao votar? Sei que o que escrevo se contradiz, mas minha tristeza e vergonha beiram à inimputabilidade. Mas sim, sou responsável pelos meus atos e se, por ventura, um crime eu chegar a cometer, pagarei minha cota de culpa no berço dessa justiça injusta.

sábado, 17 de agosto de 2019

Psicose

"Norman Bates ouviu o som e estremeceu". Após anos de indiferença por um dos grandes clássicos de suspense e mistério do cinema, eis que me rendi ao livro. Indicado e emprestado pela minha prima caçula, rendeu-me um curioso divertimento após a longa jornada de um dia de estudos. 



O livro, muito menos conhecido que a famosa "menina dos olhos" de Alfred Hitchcock, foi publicado em finais dos anos 50 e quando o nosso cineasta decidiu passar a história para as telas do cinema, comprou todos os exemplares a fim de que o número mínimo de pessoas descobrisse o final. 

Loucura, incesto, mistério e tensão são alguns dos ingredientes dessa leitura. O mais inusitado é que toda essa carga pesada não compromete a leveza da leitura que, inesperadamente, chega a ser até divertida.

A edição da Dark Side é simplesmente belíssima, com folha de alta gramatura e com figuras de algumas das marcantes imagens do filme.

Boa leitura!


Pacheco - Capítulo 1, Parte 1.

A história que tem início hoje, mas que não se sabe ao certo quando e se terá fim,  tem a mera intenção de me descontrair. Se por acaso tiver, como efeito colateral, o entretenimento de outrem, será mera casualidade.

PACHECO

Pois bem, ele chegou assim, após selecionado em uma entrevista, dentre alguns candidatos interessados. E foi escolhido pela sua aparente simpatia e jeito de companheiro. Pois nesse lugar era isso que importava. 

Nos primeiros dias há sempre a adaptação. Uma gracinha aqui, um comentário ali, mas era importante demonstrar interesse nas tarefas a ele atribuídas. Ela, Fonseca, com aquela vontade de enturmar o outro e se auto-afirmar, foi adaptando seu novo colega temperando sua chegada com trotes e brincadeiras. 

Houve risos, reclamações, discussões e, enfim, um vínculo de amizade se formou. Aquele lá que era aparentemente introspectivo, uniu-se aos fanfarrões. A moça bela com jeito de menina e um tanto desajeitada e que, às vezes, fazia que trabalhava, achegou-se. Estabelecida estava aquela trupe.

Cafezinhos, um processo aqui e outro acolá, uns dias de penúria e outros nem tanto. Conversas, umas agradáveis e outras nem um pouco. A vida foi sendo levada naquele ambiente burocrático e cheio de vida. Desentendimentos e segredos revelados, causos mal contados. Pacheco se adaptou bem à nova repartição e foi muito bem recebido por aqueles que lá "jaziam". 

Pacheco tem um senso de humor único. Espirituoso como poucos, arrancava de todos muitas gargalhadas. "Que cara massa", diziam seus colegas. 

Ocorre que Pacheco, como outros muitos comediantes e bem humorados, também tinha seus lundus. Entristecia-se às vezes e não havia cristão que conseguisse tirá-lo daquela áurea macambúzia. Seja por uma discussão em casa com sua esposa ou por problemas financeiros, ou mesmo por algum motivo que nem ele mesmo sabia, Pacheco se aninhava em sua baia, colocava seu fone de ouvido e ia trabalhar. Sim, era estranho quando alguém ia à repartição só para trabalhar.

Descobriu-se após alguns meses que Pacheco fazia uso de anti-depressivos. Sim, o mesmo Pacheco que fazia todos rirem. Talvez, de tão engraçado que era e com tanta criatividade para elaborar boas piadas, ninguém conseguia fazê-lo rir e sentir-se regojizado. Não com sinceridade. Pacheco só ria de si mesmo. E quando cansava, precisava de ansiolíticos para aguentar o tranco da vida. 

Prosélito da camaradagem, não havia não em seu vocabulário quando o assunto era ajudar algum de seus colegas. Aliás, Pacheco era um homem fácil de angariar colegas, mas difícil de ser conquistado como amigo. Ficava ali, horas a fio trabalhando em meio a murmurinhos e gargalhadas, mas não envolvia ninguém em sua vida pessoal. Sabia bem separá-las. Seu lar era seu abrigo e seu segredo. Impenetrável como a toca de uma fuinha ou como o buraco feito pelas corujas do cerrado para esconder sua cria.

Não havia ninguém dali que um dia houvera visitado a casa de Pacheco e de sua família.

Pois bem, nosso figurão, no fundo, era uma boa alma, bom companheiro e generoso. Contudo, avesso às indiscrições quando o assunto era sua vida.

Foi a esse senhor que um dia, em tarde chuvosa pós-seca do centro-oeste brasileiro, quando os ipês já começavam a mudar de cor, que lhe roubaram um livro. Mas não era um livro qualquer, daqueles que a gente empresta, esquece e não nos devolvem.

(continua...)

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fantasia ou Realidade?



É como  eu disse outro dia.... às vezes é melhor ignorar alguns aspectos da realidade e se imiscuir em um mundo por você criado. O que quero dizer é que às vezes a realidade é tão cruel que das duas, uma: ou você sofre perenemente com o sofrimento do mundo e dos outros; ou você paga de egoísta e insensível para a sua própria consciência. Comigo, é sempre uma dessas opções. Então, por que não fugir de vez em quando e embarcar em um mundo paralelo de sonhos e fantasias?

Há dias em que eu acordo e me imagino como se num cenário de filme extraordinário: coloco no YouTube ou no Spotfy a trilha sonora de Game of Thrones, em outro aparelho coloco um ruído de chuva, com raios e trovões, acendo um incenso com odor de vetustas especiarias e começo a ler algo que me remeta a um mundo que me faça bem. Imagino-me voando, ou cavalgando, imagino que existam criaturas fantásticas, como dragões e elfos... No mundo de hoje, "ser ridículo" é um conceito muito relativo. Temos que fazer de todo o possível para nos sentir (mesmo que seja uma sensação temporária) felizes.

Quer colocar uma roupa da Casa Sonserina e ir para a estreia da nova adaptação da JK Howlling? Vá!  Prefere ler HQ´s da Turma da Mônica em uma biblioteca pública? Faça-o! Sente-se bem vestindo roupas consideradas "curtas" e vai para a balada para descer até o chão? Bom divertimento! A palavra da hora é CONFORTO, e, sim, precisamos estar confortáveis com quem somos e com o que de fato gostamos. Se todos fizessem isso, não sobraria ninguém para julgar ou taxar o outro de "estranho", "maluco", "bizarro", "nerd", "piriguete".

Convido-os, pois, a serem vocês mesmos.
A partir das 14:00 e até o sol amanhecer do dia 31 de dezembro de 2500.
E muito bem-vindos!



sábado, 24 de setembro de 2016

William Wilson, de Edgar Allan Poe

"Que me seja permitido, no momento, apresentar-me como William Wilson". Esse é o começo do instigante conto de Poe que me deixou em dúvida sobre como interpretá-lo. 

O conto, narrado em primeira pessoa, como, aliás, todos de Allan Poe, fala de um personagem que vive para satisfazer o próprio ego, permeado por uma vida de esbórnias e excessos. A história perpassa pelas fases da Infância, Adolescência e Maturidade, todas apresentando mostras de pensamentos vis e ações perversas de um ser acostumado em ter tudo, em influenciar outros e predominar sobre todos. 

Há percalços, contudo, e estes acontecem desde a chegada de uma figura com ele muito semelhante, que carrega as mesmas características físicas, a mesma sagacidade e a mesma alcunha. Por outro lado, provido de caráter e senso moralista, está sempre a lhe censurar, causando-lhe profundo mal estar e raiva.



O auge deste amargor se dá quando o personagem principal, após desferir um golpe mortal contra seu antagonista, percebe que atacou a si mesmo.

A luta travada pelo personagem contra si e o derradeiro fim impressionam ao passo que em paralelo nos deixam à deriva sobre quais foram as intenções do autor. Lançando mão da alegoria como ferramenta de trabalho e de uma linguagem altamente rebuscada, Poe nos conta a história de um homem assombrado desde a infância por um "sósia", que é, na verdade, o reflexo daquilo que ele, o narrador, gostaria/poderia ter sido e não foi, sua antítese, se tivesse feito escolhas diferentes e traçado caminhos distintos. 

O conto parece ter uma conotação moralista quando nos leva a crer que ações ruins nos levam a um final infeliz, ou seja, o famoso "Quisquis iniqua facit, patiatur iniqua, necesse est". 

Poe não era um moralista e levava uma vida boêmia. Creio que a narrativa poderia ser facilmente invertida, com o narrador carregado de puritanismo e o Outro tentando levá-lo para o submundo do hedonismo. Edgar Allan Poe quis enfatizar nossa curiosidade pelo que está oculto ao olhos nus, ao óbvio e, ainda, à possibilidade que temos de assassinar-nos para ressuscitarmos com uma personalidade nova. Em outras palavras, termos uma nova chance. William teve várias oportunidades de fazê-lo, pois em sua vida mudou seu fenótipo por diversas vezes, tendo a oportunidade de se "modificar". E mais, talvez seu subconsciente o quis, mas sua mente e costumes viciados não o deixaram. A situação drástica do último movimento da narrativa o possibilitou de renascer e assim o fez, como mostra o trecho do conto:



"Venceste, e me rendo. E contudo, daqui por diante também estás morto - morto para o Mundo, para o Céu e para a Esperança! Em mim existias - e, em minha morte, vê por esta imagem, que é a tua própria, quão absolutamente assassinaste a ti mesmo." Claro está que há uma multiplicidade de interpretações, mas por que não estaria válida a minha?


domingo, 4 de setembro de 2016

Thoughts

It is not sporadical to regard while watching the news a variety of catasthrophic episodes on Earth. Unfortunately, people usually feel sorry for a couple of minutes and then they forget about it and go back to do the things they were doing before. There is, people do nothing about it. This happens because it empires in our actual society a feeling of selfish and individualism. Basic principles such as freedom, equality and fraternity, for which the human society fought and made revolutionary and democratic laws, nowadays aren´t more than sheets of paper garded to show people that something is assecuring their rights.

For centuries the humanity have been fighting against all the scuge that remains on the Earth. Even though having all the bad experiences the societies keep a model of social contract that doesn´t work anymore. And we have many examples of that.

In the year of 2015 we had the Cop21 to consider the issue of the climate change . The problem is that even knowing that our planet and its wildlife is in serious dangerous, the great powers of the world keep spelling nocive substances through out the air and the waters. Fortunately, for the first time, a climate deal was adopted in Paris for more than 190 countries.

 In the meantime, in accord to the World Food Programm, almost eight hundred million people don´t have enough food to eat while the total wealth of the world is concetrated in one percent of the population. This is an inequality that borders on the comical and it is difficult to present solutions when the solutions are frequently in the hands of those that are in a confortable situation.

However, the conture is not entirely disappointing. Organizations such as United Nations, Médecins sans Frontiers, are fighting in concert a  continuous struggle against all those aches and pains, despite the obstacles such as corruption and the inffluence peddling.

Thus, to improve human rights and to make the Earth a good place to live, with dignity and self-respect, an universal law is needed. It is necessary for their improvement and for their preservation. The politicians and the great men in power shaw develop new ideas that even though that each of them is secretly inclined to exempt himself from them, although their private intentions conflict, they check each other, with the result that their public conduct is the same as if they had no such intentions. This is exactly what Immanuel Kant wrote in his book, The Perpetual Peace, and the reason for which many call him too naive. That´s the reason all the humanity should be naive as well. 





El Camiño

Conhecendo milimetricamente o solo árido e fértil da Espanha, quem sabe, em breve eu também possa relatar minha aventura? O som da folhagem movimentada pelo vento, o cantar dos pássaros e o barulho dos meus passos servirão de elementos de inspiração para que eu vá ao encontro das palavras certas, bem como da minha própria essência.

Gilberto Valle, mineiro de nascimento e paulista de coração, relatou, através de seu livro "Diário do Caminho de Santiago de Compostela", suas impressões e anseios como peregrino nesse tão famoso e cativante percurso que atrai tantas pessoas anualmente. De 18 de maio a 21 de junho de 2001, amigos e ele cruzaram o caminho desde Roncesvalles até Santiago de Compostela. Uma experiência, segundo ele, única, incrível e até necessária.

Mas do que estamos falando e qual é o seu significado? Resumindo, o caminho, apesar de toda as questões históricas e religiosas envolvidas, significa algo diferente para cada peregrino. E os motivos que levam cada indivíduo a fazê-lo, esses variam desde a fé, uma promessa, ou mesmo motivo algum.

Sobre a história do caminho, há quem diga que tem origem pagã e foi aproveitado para a peregrinação até os supostos restos mortais do apóstolo Tiago. Acho que vale a pena dar uma lida na wikipedia sobre o assunto, que resume bem a história, as origens e o significado geral do caminho ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Caminhos_de_Santiago ).

Sobre os custos, encontrei uma planilha na internet que simplifica bem os gastos. Quanto ao material que deve ser comprado antes, como mochila, botas, saco de dormir, etc, há muita variação, pois depende das marcas. E claro, os de melhor qualidade são os mais caros... Mas gira em torno de 1000 e 2000 reais.

Segue abaixo a planilha:




Há alguns sites que estou acompanhando para angariar mais dicas. São eles:
http://www.caminhodesantiago.com.br/wj.htm
http://evoluindonocaminho.com.br/caminho-de-santiago/custo-medio-da-viagem/

De resto, é aproveitar e chegar com muita história para contar. No meu caso, talvez a melhor história seja eu conseguir guardar as histórias só para mim.

domingo, 28 de agosto de 2016

Harry Potter and The Cursed Child

O título deveria ser "Albus Potter and The Cursed Child". Isso porque Albus, o filho de Harry, toma a frente e se destaca durante todo o livro. Seguindo os passos do pai, sua natureza o chama a aventurar-se e na companhia de amigos. No seu caso um Malfoy, Scorpius.



A trama do livro gira em torno da tentativa de nossos novos heróis em salvar Cedric da morte. Para isso, eles utilizam um Time Turner para voltar ao tempo e mudar o passado. Esse é o início de muita confusão e mudanças determinantes no futuro...

O livro, diferentemente dos sete anteriores, é escrito em forma de peça e rapidamente lido, tanto pelo número de páginas como pela envolvente história.

Deu para matar a saudade, mas para os fãs da saga, nunca é demais uma nova aventura.



segunda-feira, 14 de março de 2016

Death Penalty?





There is much controversy around the application of the death penalty in Brazil. The human rights´ proponents argue that it is the denial of the right to life and that there is no correspondence between capital punishment and the reduction of crime. On the other hand for those who defend this penalty, there are some types of crime that deserve a retribution – and not a revenge – by the harm that a certain individual has done. 


When the topic is death penalty, the Brazilian people´s opinion is divided. Datafolha Research, for example, concluded that approximately half of people questioned is against and half is[ in favour of the legalized killing. 


Now Brazil is a democratic republic and its Constitution, promulgated in 1988, expressly prohibits the usage of death penalty by the penal justice system. Nonetheless, under the terms of Article 84, paragraph 19, of the Constitution, the death penalty can be applicable in case of a declared war. Brazil is also a State Party to the Protocol of the American Convention on Human Rights to Abolish the Death Penalty, which makes it even more unlikely that its government would embrace the pro-execution cause.


However, it is known that in Brazil the criminal system is flawed. The lack of structure on the prison system and the subhuman treatment given difficult the social rehabilitation of the convicted person. Thus, the chances of an individual becomes a persistent offender increase substantially.


But the sticking point is whether it is morally acceptable or not for the state to execute people, and if so, under which circumstances. The question that should be posed is relatively simple: do governments deserve to kill those whom it has imprisoned more than one has the right of killing another? For many writers, capital punishment is an affront to universal values on which human rights are based. When George Orwell wrote his short story, A Hanging, in 1931, there was no United Nations to establish human rights treaties. Even so, his story has power to influence readers ´opinion towards the abolition of the death penalty. There are other examples of learned men that fought against it, through their literary work, like Victor Hugo in The Last Day of a Condemned Man, Albert Camus in The Stranger, and Edgar Allan Poe in his tale The Pit and The Pendulum.




In conclusion, it would be a regression in the Brazilian judicial system to allow the reintroduction of capital punishment at a time when the majority of countries on Earth have abandoned its use. The rights to life and dignity shall be defended for all, because we are all human beings. Bringing back this penalty could create ethical domestic problems and maybe the decrease of Brazil´s prestige on the international stage.



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Felicidade


      As pessoas afirmam, comumente, que buscam pela felicidade. Livros de auto-ajuda, mensagens repassadas pela internet, vlogs demonstrando práticas para alcançar a auto-confiança, adquirir práticas saudáveis e buscar a SUA felicidade, não importa o quanto isso custe, parecem ser as ferramentas da "vez" e felicidade é um termo usado sem qualquer cerimônia. Acho lírico e genuinamente emocionante o discurso de muitos, mas não posso afirmar que concordo. Ao revés, considero um verdadeiro contra-senso afirmar que o propósito da vida é ser "feliz" e fazer o que gosta em um mundo em que o caos impera, a fome esperneia e a desigualdade se exaspera. A felicidade não é e não deve ser algo tão egoísta. É preciso fazer o que é preciso. Confesso que todos os dias ao dormir, na escuridão da alcova, o travesseiro transmuda-se em confessionário. E quase sempre o sentimento que prepondera é a melancolia e o arrependimento. Nesse momento, comungo, de algumas opiniões: o que eu fiz durante o dia simplesmente não me preenche e sinto o vazio da alma. Uma alma que na dormida confortável sobre centenas de fios, tão-somente lamenta a sofridão de seus irmãos. Nutro um sentimento ruim, de raiva, mesmo que momentânea por alguns. A revolta, o mau-humor, a tristeza desatada por razões de índole estritamente pessoal. Estas deveriam servir de combustível para o auto-progresso. Contudo, para muitos, é bote para a depressão, a agonia e a aflição movida por assuntos meramente pessoais.
      Sim, amigos e familiares, eu os amo. E igualmente amo aqueles cujo os nomes desconheço, cujas faces nunca vi. Amo-os porque são; porque existem e porque por eles e em razão deles (e de vocês, senhores) eu vivo.A humanidade é una; desconheço o plural de tal verbete. E por que saltitarmos e nos regozijarmos malgrado a parca sobrevivência de outrem? Por que teorias como o liberalismo e suas vertentes, o construtivismo e o neo-neo deixaram espaço, após tantas discussões, para o já malfadado realismo? Estados mostram sua onipotência e se utilizam da força. A política internacional, como a conhecemos, embutida de conceitos de cooperação internacional, organizações extra-estatais, grupos econômicos e união entre Estado, parece existir como forma de permanência de países hegemônicos no poder; a pura demonstração da força que os sobrepõem em uma relação permeada de ameaça semivelada de apelo à guerra quando necessária. 
    Ideias liberais não trarão a felicidade. Livre mercado, globalização, consumismo e cultura de massa tampouco. Assim, a busca da felicidade pelo indivíduo raramente deve alcançar resultados satisfatórios porque é necessário que a felicidade seja buscada pelo conjunto de indivíduos. A teoria da ação coletiva de Olson deve, pois, prevalecer.
      Portanto, amigos, enquanto neste mundo a solidariedade for coadjuvante, todo o sentimento de excitação será passageiro e as lágrimas continuarão a rolar, pois os corpos suplicam por cuidados e nutrição, os corações clamam por amor, mas a consciência imediata tem nas mãos o sangue derramado e o pranto não contido.
       Parafraseio, por fim e por suposta razão, as palavras do legado literário, traduzida na obra clássica de Victor Hugo, Os Miseráveis: "enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis"

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Extraordinário

Extraordinário. Um livro para todas as idades, de linguagem extremamente fácil e que, creio, deveria, ser adotado pelas escolas, nos primeiros anos, para estimular as crianças a refletir sobre o bullying.
O livro aborda a história de um menino que nasceu com uma enfermidade que acarreta, por si, uma deformidade em sua aparência física e, por conseguinte, os dramas daí decorrentes.
Algo realmente formidável no livro é a forma com a qual  os personagens são encarados pelos próprios personagens entre si: todos são "carimbados" por uma determinada característica e carregam essa marca durante um bom tempo do histórico escolar: são os "nerds", "geeks", "certinhos", "esportistas",enfim, características externas que não definem o que a pessoa, ou melhor, quem a pessoa realmente é. E por que não considerar que tal postura seja praticada também entre os indivíduos de idade mais madura. Não esporadicamente eu me deparo com situações no trabalho em que sou julgada, em que julgam e em que eu mesma julgo. Mesmo que com animus jocandi, será que às vezes magoamos alguém querido quando o taxamos de "maluquinho", "avoado", "ensaboado", "tagarela"?




Enfim, Extraordinário é aparentemente simples, mas pode ser útil nas relações interpessoais. De leitura fluida, possível de começar e terminar em uma tarde, em um passeio delicioso por suas páginas recheadas de sentimentos puros de ex-crianças recém-chegadas à pré-adolescência.


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Bem-vindos de volta!

Após meses no ostracismo, o French Vanilla voltou e está de cara nova. A frase é deveras clichê, mas é fato que após algum tempo em decorrência de fatores como algumas viagens, adaptação com o novo habitante da casa, a reclusão em razão de estudos para o ingresso à carreira diplomática, o estabelecimento de uma nova rotina, enfim, tudo isso me manteve alheia às postagens neste meio de comunicação. Terminada a fase supramencionada, eis que estabeleço uma nova rotina. E o blog dela faz parte. As viagens por enquanto estão mais escassas, o novo habitante se chama Elvis e está muito bem adaptado e após a experiência até boa de um bom desempenho no CACD - malgrado a não-aprovação - tudo isso abre as janelas para um novo dia. O tempo é bom. Provavelmente haverá algum temporal em um dia ou outro. Mas se espera que prevaleça a calmaria, o auto-domínio e a maturidade. São raras as vezes em que a "janela da alma" se abre de forma tão escancarada de forma que se é capaz de visualizar a si de maneira tão clara e abrupta que tudo o que "foi" antes parece não ter sido vivido. Aliás, hoje conversando com um querido amigo, este traduziu meus pensamentos em linguagem cristã. Disse-me que para Deus os dias nos quais o indivíduo foge do Seu propósito são como dias não vividos. E essas palavras entraram em minha mente e atravessaram meu coração. Era exatamente assim que me sentia. Durante algum tempo, parecia estar apenas sobrevivendo. Agora que descobri na vida um sentido (ou sentidos), percebo estar vivendo mais, sentindo mais, sendo mais, refletindo mais. Apesar das más interpretações hodiernas e dos maus ofícios corriqueiros que às vezes têm a pretensão de me abalar, sinto-me feliz ou em vias de alcançar esse tão sonhado estado de espírito. Perdoem-me os que nisso não acreditam, mas eu não perco as esperanças.  

Com a escusa dos que me acompanham, despeço-me. Leituras são necessárias para enriquecer esse blog. Belo dia a todos.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Os Contos de Beedle, o Bardo

Contos assustadoramente lindos! J. K. Rowling mais uma vez não me decepcionou. É incrível como eu quase acredito nas notas de rodapé! Ela escreve os contos citando estudiosos que lêem, debatem e escrevem sobre os temas das lendas dos contos como se o mundo paralelo dos bruxos e da magia realmente existisse ( e quem sabe se não existe mesmo?)! 



Os Contos de Beedle,o Bardo é um livro bem curto e de facílimo entendimento. Ideal para crianças que estão aprendendo a ler. Mas perfeito para adultos que gostam de mergulhar no mundo ideal da imaginação.  Após cada fim de história, há os comentários de Dumbledore (sim, o diretor bom velhinho barbudo e gentil de Hogwarts) sobre o conto e sua explicação sobre a lição passada. 

O livro é dividido em 5 contos:

- O Feiticeiro e o Caldeirão Saltitante
- A Fonte da Justa Fortuna
- O Coração Peludo do Mago
- Babitty, a Coelha, e o Toco que Cacarejava
- O Conto dos Três Irmãos

Todos são educativos e nem precisa esticar a baladeira para fazê-los instrumentos de reflexão! 
Recomendado para quem está com o tempo curto, mas não quer parar de ler de jeito nenhum! 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Lille

Hoje foi um dia diferente. Acordei tensa após uma noite mal dormida e um pesadelo pra lá de hollywoodiano. Estava em Bruxelas. O idiota havia invadido a tv holandesa. Eu estava de passagem comprada para uma cidadela francesa no dia seguinte e muitas coisas estavam acontecendo nós últimos meses. Muitas mudanças, às vezes difíceis de enxergar seus benefícios. 5:40 am. Tomo banho, visto-me, espio pela janela para ver se vejo alguém na rue Marché aux Poulets. Somente o dia de trabalho começando para uns poucos e alguns jovens voltando dos pubs. Decido-me. Malgrado o frio, o medo de estar só e o temor maior ainda de um atentado em qualquer lugar e a qualquer momento, saio em direção à estação Bourse. Três paradas, chego à la Gare Bruxelles-Midi. Muita gente, pouca informação, mudança de Gate, mas tudo certo. Sento em uma cafeteria, de comida com boa aparência e de gosto asqueroso. 30 minutos de wi-fi para me sentir em casa. Ao mesmo tempo, observo os transeuntes. Questionamentos piegas sobre o sentido da vida me vêm à cabeça. Lembro-me de um amigo que diz passar seus dias se perguntando. Sinto pena. É muito angustiantes. Mas, ao mesmo tempo, tellement, por que razão as pessoas fazem tanto quando a imensidão de tudo é tão incerta? Carregamos (incluo-me, obviamente) malas com pertences inúteis, caminhamos uma eternidade para chegar àquele ou a esse lugar, tirar uma foto e mostrar para os amigos. Batalhamos e perdemos noites de sono para ascender na profissão e contrair mais dívidas e responsabilidades infrutíferas. Qual a razão de se contruírem igrejas? Por que não rezar e fazer oferendas ao ar livre? Para que a coleção da última estação quando se pode ter apenas dois pares de calças e uma muda de camisetas e, claro, algum agasalho contra o tempo? Por que eu, Mariana, compro tantos livros quando muitos deles posso ler pela internet? Para que tudo isso mesmo? .......... Wifi era limitado. 30 minutos. Não me despedi de minha genitora. Cortaram-me a ligação. Claro, deveria provar outro quiche horrível para ter direito a mais meia hora. O trem chegou. Acomodei-me. Coach 8. Seat 54. TGV. From Brussels-Midi to Lille-Europe. O trem começa a se movimentar e a paisagem esbranquiçada me encanta. Esqueço do livro que comprei na Casa da Anne, Prinsengstraat, 300. Não sei se é isso mesmo. 30 minutos, desço, compro um mapa. A neve cai em Lille. Lindo. Desculpem-me os ateus. Quão imbecis vocês são! A neve é divina. As árvores também. Vós sois! Nós somos. Esqueci-me dos devaneios existenciais. Aqui estou, Lille, na catedral Notre Dame mais linda que a de Paris, bebendo um expensive champagne e feliz por ser. Ser. Os amigos críticos que me desculpem. Não revisei nem revisarei uma palavra do que escrevi. Aliás, para que dizer? Não devo explicações. Nem vocês, lembrem-se disso e sejam vocês, perto,ou longe dos que amam impor-lhes defeitos.  

sábado, 13 de dezembro de 2014

L´homme qui plantait des arbres

L´homme qui plantait des arbres est un conte sur l´histoire de Elzéard Boufier, un berger qui reboise les hauters desolés où il vie. Notre narrateur, l´auter du conte, s´appelle Jean Giono et il nous raconte l´histoire avec beaucoup des détails. Tout d´abord, l´auter délimite exactement où est-ce qui se passe l´histoire. C´est aux Alpes, dans la région de Provence et je pense que en raison de la richese des détails c´est possible tracer les coordonées.



Il a été une travessie très longue et fatigante. Il n´avait de l´eau ou des bons lieus pour camper. L´aventurier n´avait plus d´espoir quand, soudain, il s´aperçu du berger.

Le berger Boufier était un homme très organisé et il a construit une belle et bonne maison pour vivre. Et, en silence, car il parlait peu, il a donné abri a notre narrateur. Ça fut une très bonne chose parce que dans les villes prochaines il y avait des caractères bien différents d´Elzéard. Ainsi que l´idealisme vers le matérialisme sont pour Humprey van Weyden et Wolf Larsen, les sentiments et les attitudes de les bûcherons et ses familles étaient pour le berger. Pendant ils débroussaillaient les fôrets, le berger plantait les graines tous les jours, même pendant les periodes de le deux Guerres Mondiales, dans lesquelles le narrateur fut engagé. Elzéard Boufier a continué a planter pendant des années, jusqu´ à sa mort, em 1947.

Il a laissé une héritage pour toute l´humanité, spécialement pour les dix mille personnes qui se sont fixé dans la région où Boufier a planté des arbres.

À mon avis, l´histoire a deux morales. La première c´est que chacun de nous pet faire une différence et changer les choses. Ça depend de nous. Par ailleurs, le conte nous montre que le reboisement est nécessaire et, pourtant, il n´autorise la destruction des fôrets, sans lesquelles les espèces vivantes peuvent disparâitre.

Enfin, la part final du scénario dans le film d´animation, avec toutes les illustrations belles, tout ça me revient le tableau de Renoir qu´on appelle Bal du Moulin de La Galette. Ça indique la preciosité et la richese de l´oeuvre cinématographique de Frederic Back.




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Lobo do Mar, de Jack London

Estupendo! Uma aventura sem sair de casa (ao menos no plano físico). Um livro emocionante, que enche o leitor de expectativas e ansiedade do começo ao fim. Jack London usou de sua experiência de vida e de seu talento nato como escritor para nos apresentar uma história sobre o mundo das viagens em auto-mar em navios de pesca e caça. Em seu livro há um maniqueísmo às avessas. Digo isso porque o materialismo e determinismo darwinista de Wolf Larsen, que acredita na regra de que o mais forte prevalece, versus o idealismo e o pensamento no bem-comum de Humpfrey Van Weyden se contrapõem (mas em alguns momentos parece que justapõem).



Interessante é que, por mais cruel que Wolf Larsen possa parecer, acaba-se criando por ele empatia. Não sei se no meu caso foi por motivos pessoais. Isso porque o querido amigo Arthur sempre deu ao meu amado pai a alcunha de "Velho Lobo do Mar". Mas, enfim, comentários aleatórios.

Não são esporádicas as partes interessantes desta obra, o que justifica o considerável número de marcações em meu exemplar. É fato que a parte do já premeditado triângulo amoroso deixa um pouco a desejar se pensarmos que foi essa a razão do foco sair do Velho Lobo. 



 São várias as passagens informativas no romance. Como exemplo, na página 26, é citada a Revista The Atlantic Monthly. A tradução da Zahar Editora é excelente, pois traz notas de rodapé explicativa. Nesse caso, The Atlantic Monthly, revista norte-americana de temática cultural e literária fundada em 1857 por Ralph Waldo Emerson, entre outros, em Boston, Massachusets.

Os personagens também, apesar de um pouco escamoteado, são alvos de muitas críticas pelo autor, mesmo no caso do incorruptível Hump, que precisou estar em uma situação de apuros e perigo para assumir a postura de "homem de fato": Enquanto estava ali deitado, naturalmente acabei refletindo sobre a situação em que me encontrava. Era inédito e inimaginável que eu, Humphrey van Weyden, um estudioso e diletante, se me permitem, no mundo das artes e da literatura, estivesse ali deitado numa escuna de caça à foca com destino ao mar de Bering. Camaroteiro! Eu nunca tinha feito trabalhos manuais pesados ou sido ajudante de cozinha em toda minha vida. Passara todos os meus dias vivendo uma existência pacata, monótona e sedentária, a vida de um estudioso recluso, sustentado por uma renda garantida e confortável. A vida violenta e os esportes atléticos nunca tinham me atraído. Sempre fui um rato de biblioteca, como minhas irmãs e meu pai se referiam a mim na infância. Tinha ido acampar uma vez, mas abandonei o grupo logo no começo e voltei para os confortos e conveniências de um abrigo com telhado. E aqui estava eu agora, contemplando uma paisagem sombria e infinita de mesas a servir, batatas a descascar e pratos a lavar. E eu não era forte. Os médicos sempre diziam que eu tinha excelente constituição, mas nunca a desenvolvi com exercícios. Meus músculos eram pequenos e moles como os de uma mulher, ou pelo menos era o que os médicos me diziam quando tentavam me fazer aderir à moda de culto à forma física. Mas eu preferia usar a cabeça ao invés do corpo. E aqui estava eu, totalmente despreparado para a vida dura que me aguardava.

O livro é recheado de passagens de brutalidade e violência. A lei em alto-mar em um navio de caça a focas é bem diferente do que as sociedades ocidentais atual estão acostumadas, A crueldade das condições de vida e as personalidades obscuras e horrendas de alguns tripulantes faz o personagem de Hump repensar em seus valores e opiniões sobre a legitimidade da pena capital.

Ainda, a progressão de uma doença física nos é apresentada, restando a questão de ser possível com uma grande dificuldade determinado indivíduo mudar de atitude e pensamento, tornando-se,quem sabe até mais indulgente. Aqui predomina o bom ditado de que no fundo do poço, os maus parecem bons. 

As ideias aqui postas podem parecer meio confusas. Mas quando se lê O Lobo do Mar, compreende-se bem que há ainda muito por compreender. 

Recomendado no mais alto grau!

sábado, 8 de novembro de 2014

Scrapbooking

Um dos meus passatempos preferidos, além de uma das mais eficazes formas de fazer terapia, também é uma excelente opção para presentear os amigos e familiares queridos. Fazer um álbum de scrapbooking é bom demais e pode ser feito das mais diversas maneiras. Se não houver grana suficiente para comprar aquelas máquinas importadas e ferramentas próprias, tudo pode ser improvisado. Pedaços de jornais, revistas, restos de papéis, cola, adesivos diversos e, é claro, fotos, muitas fotos! No meu caso, não utilizei um álbum tipo pasta e fui fazendo as colagens nas folhas próprias para scrapbooking, embora já tenha feito diversos álbuns desta forma. Dessa vez, utilizei-me de um álbum com as folhas já anexadas e com papel manteiga para proteger uma a uma. A sortuda da vez foi minha querida amiga Carol. Segue como ficou o presente! Espero que ela goste!



























terça-feira, 28 de outubro de 2014

Gertrudes



Tudo começou no dia 1º de setembro de 2014. Em meio à solidão de uma primeira noite em um apartamento novo e quase vazio, em uma mescla de empolgação e ansiedade condicionados às expectativas de uma nova casa, lá estava ela. Minha vizinha receptiva, que se aproximou de minha janela como se quisesse me dar as boas-vindas.  Ao contrário do que muitos falam sobre corujas, animais de agouro, que causam medo e aversão, meu sentimento foi completamente oposto. Não senti temor algum, mas leveza e por mais absurdo que possa parecer, um sentimento de amizade começou a se estabelecer. Assim como ocorre com homem e cachorro, homem e gato, homem e pássaro, ocorreu entre a misteriosa ave de rapina espécie habitante de centros urbanos e eu. Todos os dias Gertrudes aparecia ao pé de minha janela, eu descia os três andares e em meio a árvores, estacionamentos e raros transeuntes, eu falava. E ela parecia escutar. Até que chegou o momento do acasalamento, Gertrudes constituiu sua família e eu tive que passar a visitá-la. Ora, ela, como boa mãe coruja que é, não poderia deixar seus filhotes desprotegidos na toca. Então, descobri seu hogar e diariamente faço minha cordial visita. Não temos um vínculo como normalmente têm os que possuem animais domésticos. Gertrudes é livre. Eu a chamo de "ma chouette", "mon hibou", "minha Gegê", mas apenas como forma de demonstrar carinho. E aqui uma homenagem como demonstração de meus sentimentos pela corujinha: uma tentativa inusitada de fazer Expressionismo. Com a licença de Van Gogh, Klee, Kandinsky, creio que posso nesse gênero me aventurar. Apesar do pouco tato artístico, o expressionismo é a saída para aqueles que querem na arte expressar seus sentimentos de forma a abstrair possíveis críticas, pois tudo ali no concreto representa o abstrato sentimento interior.

Gertrudes, à vous. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Hobbit



 
O que seria da vida sem um pouco de fantasia? É, quanto a mim, eu acho que seria um tanto quanto sem graça. Se eu já gostava de me aventurar no mundo dos livros, do cinema, das artes e das viagens, após o problema de saúde da mamãe (que mais posso considerar como um "Portal para a Realidade e Valorização das Coisas que Realmente Importam) a imersão foi ainda mais drástica. Sei que podem considerar como fuga, mas é fato que a vida é bem melhor de ser vivida quando você mescla a realidade com o que você gostaria que fosse (e com o que pode até existir e você não sabe, ué!).





Tolkien fez isso com maestria. E nos deixou uma herança e tanto! O Senhor dos Anéis, Contos Inacabados e, é claro, O Hobbit. Minha releitura começou hoje pela manhã. Que livro fantástico! Riqueza em detalhes de personalidade dos personagens e dos sítios nos quais se passa a história. Um mundo diferente, seres diferentes, alguns dos quais com essências tão ímpares! Hobbits, anões, homens, elfos, orcs... muita imaginação para uma pessoa só... Abastecimento da cabeça e do coração de quem lê. Sim, coração. Porque O Hobbit, muito além do que muitos podem pensar (aqueles que se julgam adultos ou velhos ou bourgeois-bohème demais), é uma bela e simples lição de valores. Valores esses necessários para um ser humano em qualquer idade. A coragem, o heroísmo e a amizade que não precisam ser concretizados em batalhas épicas para a sobrevivência de uma raça, mas que necessitam de aplicação diária na luta do homem contra ele mesmo e sua natureza imperfeita. Natureza essa da qual derivam as mais diversas mazelas, como maldade, egoísmo, inveja e doenças.


Tudo isso pode ser apreendido dessa leitura dedicada ao público infantil. E de quebra põe-se a imaginação para funcionar, podendo acreditar que até grilo pode vir a falar!

Recomendo comprar a edição de luxo da Martins Fontes, essa das fotos que postei. Linda, de altíssima qualidade e com ilustrações simplesmente belíssimas!!